sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O santo, o mundano e o pecador (Pe. Paulo Ricardo)


A generosidade é que faz o santo.
Jesus olha para o jovem que lhe disse que já observava os mandamentos, como quem para de pecar, amou-o, então te falta uma coisa para ser perfeito: vai, vende tudo o que tens e vem comigo. Precisas fazer aquilo a que não és obrigado. Aí começa o amor.
Num casal, se o esposo faz um check list de abraços que deu, de sorrisos pela manhã, de beijos à noite, pensa: Não traio. Não minto. Cumpro minhas obrigações. Porque você reclama? A esposa diz: você está cumprindo sua obrigação, mas quando vai começar a me amar? Amor é generosidade, é o que não está previsto nas regras, é gratuidade, porque se ama.
Na Igreja, muitas pessoas acham que, porque pararam de pecar contra os 10 mandamentos, já são santos. São um zero na verdade. Porque antes era negativo, abaixo de zero. Você é assim? Um cadáver na geladeira do necrotério?
Amar é que santifica. Mjuitos pensam: Na Igreja, por que de que eu gosto é imoral, ilegal, ou engorda? Por que não posso? Ama e faze o que quiseres, responde Sto. Agostinho. Não precisas ter regras, se amas.
Exemplifica-se. Alguém lhe diz: Vou lhe dar uma lei muito dura, rígida. Você está proibido de matar sua mãe. Se você ama sua mãe, nunca pensou em matá-la, esta lei não precisa existir para você. Você está livre da lei.

Santa Teresa escreveu, por ordem do diretor espiritual, o livro do Castelo. Viu a alma em oração, uma joia preciosa dentro de todos os seres humanos, mesmo  do mais pecador, e Jesus está lá, no centro da alma. Se a pessoa está em pecado, Jesus está lá, mas não existe luz lá. Há trevas absolutas. Ela viu a alma em pecado mortal e disse que era horrível, por nada neste mundo você cometeria o pecado mortal, se visse.
Você saindo do pecado, Jesus começa a irradiar uma linda luz do centro da alma. A alma tem círculos concêntricos, como uma cebola, como o palmito. No centro, lá no palmito saboroso, está Jesus. Você não enxerga que Ele está lá no início, quando acabou de deixar seus pecados, encontrou-se com Deus e foi se confessar.
Iluminada, a alma é belíssima, mas não vê esta beleza. É como se fosse uma pessoa com um cisco no olho que sai e vai até a luz do sol. O ambiente estava iluminado, mas a pessoa não conseguia saborear da luz, por causa do cisco.
É assim a pessoa que está na primeira morada do castelo, a pessoa que abandonou o pecado.
A majestade está lá no centro, mas a pessoa está de costas e não vê, está voltada para a janela do castelo, que abriu, e olha o mundo lá fora.
Aí está o mundano. Confessou. Veio a luz maravilhosa na alma, mas ele não enxerga a luz que vem de dentro do castelo, porque está muito entretido com as coisas do mundo. Está na amizade com Deus, mas inveja os que estão lá fora. Eu sou católico, não posso mais nada, olha lá, olha lá .... Que desgraça! Inveja a vida dos pecadores.
Outro exemplo: A pessoa resolve fazer jejum, passa na banca e compra uma revista de culinária. Nossa, estou fazendo jejum, que desgraça, não posso comer nada disso. Ficou se torturando, porque não descobriu o amor. Ah, se ela visse o esposo no centro da alma! Ah, se enxergasse com que amor Ele nos ama. Ele está aí, dentro de você, agindo dentro de você com amor, mas você não enxerga, porque vive uma vida prisioneira do seu cérebro, e não acessa sua alma.
Quando você chega em casa, o seu cachorrinho abana a cauda. Porque você é sinônimo de estímulos cerebrais positivos. Os animais só conhecem as sensações. Você é sinônimo de comida, carinho na barriga, jogar a bolinha.
Se você fizer um sacrifício, comprar uma comida para ele em vez de comprar a sua, você amou, mas ele nunca saberá disso, porque não conhece a verdade, não tem alma. A verdade só a alma conhece. Quem medita, pensa. Vê que a mãe fez isso, isso, isso, sofreu por mim. Ela me ama. Não foram as sensações cerebrais que mostraram isso.
Você percebe que não é só cérebro.
Você lê uma obra, uma vida de santo, e percebe que Deus amou você, porque você tem alma. Não são as sensações que o transmitiram.
Concupiscência da carne são os desejos do cérebro. Foge da dor, busca o prazer é a programação do cérebro. Mas como vai amar?
Só quem tem alma inverte a programação do cérebro. Ele pede que eu fique na cama, mas abraço o cansaço e vou cuidar de meu filho. Não vou trair minha esposa.
O jejum ensina a inverter a programação do nosso cérebro.
Concupiscência dos olhos é o desejo de conhecer. Nenhum animal é capaz de ir no shopping e olhar as vitrines e não comprar nada. Nós somos. Ou de ficar zapeando e não assistindo um único filme na TV. Nós somos. Porque temos sede de conhecer, mas ela está desordenada dentro de nós, por causa do pecado original. São as salamandras de Sta. Teresa DÁvila. Vai, vai, conhece, vai atrás.
Os marqueteiros descobriram essa concupiscência O resultado de mostrar várias vezes uma coisa à pessoa é que ela vai comprar aquilo. Querer ser rico e achar que o dinheiro vale tudo, destroi a pessoa, a família. Pense na partilha de bens na morte de um pai. Há briga de irmão contra irmão por causa do dinheiro.
A soberba da vida é a realidade de a gente se achar Deus. “Sereis como deuses”. Isto está dentro de nós. Antes de ser capaz de pecar, a criança se acha o centro do mundo, deus. EU. Seja feita a minha vontade na terra como no céu. E assim não olhamos para o centro verdadeiro, Deus, que está no nosso castelo interior.
Uma coisa é o pecador, outra o santo. No meio, está o mundano.
O mundano é o católico que se confessa, mas não sai do lugar, não progride, porque só quer observar os dez mandamentos. Deu. Sem fanatismo. Sem radicalismos.
O mundano é aquele que deixou os pecados e abre a janela do mundo. Passa a desejar poder fazer o que o mundo faz. Não posso, porque sou católico. E inveja os outros. É o católico dos nãos. Não mato, não roubo, não .....
Você não vai amar se for movido pelas 2 concupiscências e pela soberba da vida. 
Se você nunca sofreu por ninguém, pelo bem de alguém, você nunca amou ninguém.
Feche a janela do castelo. Pare de ficar olhando para fora: recolha-se. Recolhimento é a palavra.
Quem sabe você diz: eu não assisto filme com cenas eróticas. Muito bem. Mas qual é a finalidade de sua vida? É Deus, razão de ser de tudo. Você quer viver para Deus, assiste um filme sem cenas eróticas etc., para que não possa fazer você pecar, mas aí você vê as pessoas buscando glória, dinheiro, sucesso, por 2 horas e esquece de Deus, fica hipnotizado pelas coisas do mundo. Se isso acontece muitas vezes, o tempo todo, procurando coisas que não têm nada a ver com Deus, vai ser difícil ser santo e amá-lO com todo o coração. É preciso fazer jejum dos olhos, fechar a janela, voltar para o castelo, voltar para Deus.

Aí está Nosso Senhor, que nos ama e morreu por nós. Decidir-se: eu não nasci para me arrastar como as serpentes, mas para voar como as águias. Eu nasci para amar. (resumido de vídeo de Padre Paulo Ricardo)

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