quarta-feira, 10 de novembro de 2021

História das cores litúrgicas na Igreja

 Redação (27/10/2021 10:21Gaudium Press) O homem, segundo Santo Inácio de Loyola, foi criado para louvar, prestar reverência e servir a Deus, Nosso Senhor. Pela reverência interior, ele reconhece a soberania de Deus sobre a sua alma, e pelo louvor e serviço, manifesta os sentimentos de sujeição por meio de sinais sensíveis através do culto exterior.[1] Neste sentido, todo o cerimonial que envolve as celebrações litúrgicas da Santa Igreja, sejam os gestos, as palavras, o canto, seja inclusive a qualidade dos elementos ornamentais e objetos litúrgicos, todos eles expressam uma profunda adoração a Deus Nosso Senhor e a reverência aos anjos e santos.

Ora, há um outro aspecto muito relevante na liturgia: a constelação de sinais e símbolos que se exteriorizam de diversas maneiras. Entre eles, encontramos uma variedade de cores que ressaltam a importância de uma festa ou as características de um tempo litúrgico.[2]

Contudo, foi assim desde o início da Igreja? Como surgiram as cores litúrgicas?

Surgimento das cores litúrgicas[3]

Deve-se notar que, nos primeiros séculos do cristianismo, não havia uma determinação quanto às cores específicas para as indumentárias sagradas. Verifica-se isto em afrescos e mosaicos de catacumbas e antigas basílicas, nas quais os artistas produziam suas pinturas escolhendo aleatoriamente as cores nas vestimentas dos ministros. No entanto, muitos documentos dos séculos IV e V referem-se a vestes de cores esplêndidas, utilizadas para o serviço do altar. No século V, a chamada Carta Cornutiana (471) atesta ricos tecidos de púrpura e de ouro que ornavam e embelezavam o cibório das basílicas. Já a cor branca, presente nas alfaias de linho, era também empregada nas cerimônias cristãs por influência dos romanos, os quais utilizavam esta cor em dias festivos e em suas cerimônias religiosas, pois simbolizava a pureza ritual.

Os primeiros rastros de relação entre uma cor e uma festividade litúrgica estão contidos no Ordo romano XXI, da segunda metade do século VIII. Tal documento afirma que na festa da Purificação e no dia das ladainhas maiores, o sacerdote e o diácono ingressavam no recinto sagrado portando vestes negras.

Já ao longo do império carolíngio se averigua uma enorme quantidade de cores nos ornamentos litúrgicos. Por exemplo, neste período, um tratado irlandês discorre sobre as cores das casulas a serem utilizadas na Santa Missa. São elas: ouro (amarelo), azul, branco, verde, marrom, vermelho, negro e púrpura. No século XII, a igreja latina de Jerusalém, erigida pelos cruzados, possuía as seguintes cores: para a Quaresma, Purificação e Advento: paramentos negros; Pentecostes, Festa da Santa Cruz e Santo Estêvão: vermelho; Páscoa: branco; Ascensão: azul; Natal: vermelho, amarelo e branco; e Epifania: azul e amarelo. A razão de tão variada quantidade de cores representava o simbolismo espiritual contida em cada uma delas, demonstrando, desta maneira, uma analogia com cada festividade litúrgica.

Finalmente, no século XIII, o papa Inocêncio III se apresenta como o primeiro comentador oficial do simbolismo das cores litúrgicas. Em sua obra De sacro Altaris Mysterio, ele desenvolve este tema e elenca cinco cores agregadas pela Igreja de Roma: branco, vermelho, verde, negro e roxo (equivalente ao negro). Mais tarde, foram aprovadas pelo papa São Pio V e prevalecem até os dias atuais.


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