Saiba como a meditação é busca de conhecimento da verdade e diálogo de amor com Deus.
Nesta aula do curso “Ensina-nos a orar”, Padre Paulo Ricardo nos explica que a meditação é um verdadeiro diálogo com Quem sabemos nos amar, com Deus. Nós já falamos da leitura meditada. Falamos também da leitura orante das Sagradas Escrituras, ou seja, da lectio divina. Agora, gostaríamos de aprofundar mais a respeito da meditação. Por quê? Nós já vimos que a meditação é importante e que é uma realidade que engaja verdadeiramente o nosso coração. Pois, a meditação é um ato de amor. Vamos realmente aprofundar essa ideia.
Neste diálogo de amor com Deus, veremos que a concupiscência dos olhos pode nos atrapalhar e nos tirar da finalidade última da meditação. Veremos também que temos que buscar a Verdade, mas esta muitas vezes se esconde na fé e isso exigirá de nós algo a mais. Quando finalmente nos encontramos com essa Verdade, com o Amado de nossas almas, saberemos qual é a atitude fundamental para que este encontro se torne um verdadeiro diálogo com Deus.
A meditação e a concupiscência dos olhos
Algumas pessoas se perdem quando se põe a meditar. Perdem-se na curiosidade. A princípio, a finalidade da meditação é nós sermos conduzidos pelo Espírito Santo. Entretanto, não existe somente o Espírito em ação dentro de nós. Existe também uma coisa chamada concupiscência dos olhos. O que é a concupiscência dos olhos? É uma força mundana que nos leva à curiosidade.
Nós, seres humanos, temos uma vontade de conhecer as coisas e essa vontade de conhecer foi criada por Deus. Nós fomos feitos para amar e ninguém ama o que não conhece. Então, ficamos procurando coisas para conhecer. O problema é que depois do pecado original a nossa vontade de conhecer ficou desordenada. Esta desordem da vontade é aquilo que chamamos de “concupiscência dos olhos” (1 Jo 2, 16), segundo a Primeira Carta de São João, que em grego se diz: “ἐπιθυμία τῶν ὀφθαλμῶν”.
A meditação como diálogo de amor com Deus
A concupiscência dos olhos pode simplesmente ser chamada de curiosidade. Então, quando vamos meditar, existe uma tendência muito grande de transformar a meditação em estudo e isso não é oração. Temos que distinguir o estudo da oração ou meditação. Porque a meditação é uma verdadeira oração e, portanto, um verdadeiro diálogo de amor.
Vamos recordar aquela definição de Santa Teresa, que a oração é um trato de amizade com Quem nós sabemos que nos ama[1]. O problema é que esta Pessoa que nós sabemos que nos ama se esconde na fé, como o “tesouro escondido” (Mt 13, 44) do Evangelho. Ora, para encontrar esse Tesouro escondido, que está escondido na fé, nós precisamos então meditar, ou seja, ter o trabalho de buscar. A meditação é a busca pelo Amado: “Vistes acaso aquele que meu coração ama?” (Ct 3, 3). Ele é a Verdade (cf. Jo 14, 6) e nós precisamos continuamente buscar essa Verdade.
A meditação como resposta de amor a Quem nos ama
O ato de meditar engaja inicialmente o nosso intelecto, o nosso conhecimento. Todavia, se paramos simplesmente no intelecto, no conhecimento, não estamos rezando. Estamos conhecendo verdades sublimes, verdades de fé. Mas, se não houver verdadeiramente um ato de amor, uma resposta de amor da nossa parte, não entramos em diálogo com o Senhor. Recebemos a notícia de que Deus nos ama, mas precisamos responder também com nosso amor, com a nossa entrega. Ele é a presença se doando a nós e somos a presença nos doando a Ele.
São João da Cruz coloca, no seu livro “Subida do Monte Carmelo”, uma noção muito importante. Ele diz assim: “Qual é o fim da meditação?”, ou seja, qual é o propósito da meditação?, “e dos atos discursivos?”, ou seja, desses raciocínios, dessa busca racional?, “senão conseguir mais clara notícia de Deus e mais intenso amor?”[2]. Através da meditação, nós conhecemos o amor de Deus mais claramente e, por isso, respondemos com um amor mais intenso. Se nós realmente fizermos este ato de amor, estaremos meditando, estaremos rezando de verdade.
Referências:
[1] SANTA TERESA DE JESUS. Livro da vida, 8, 5.
[2] SÃO JOÃO DA CRUZ. Subida do Monte Carmelo, II, 14, 2.
Posted: 04 Oct 2016 11:00 PM PDT via Todo de Maria
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