domingo, 5 de junho de 2016

X Domingo do Tempo Comum




Evangelho do dia (Lc 7,11-17):

Naquele tempo, 11Jesus dirigiu-se a uma cidade chamada Naim. Com ele iam seus discípulos e uma grande multidão. 12Quando chegou à porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único; e sua mãe era viúva. Grande multidão da cidade a acompanhava. 13Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão para com ela e lhe disse: “Não chores!” 14Aproximou-se, tocou o caixão, e os que o carregavam pararam. Então, Jesus disse: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” 15O que estava morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. 16Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: “Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo”.
17E a notícia do fato espalhou-se pela Judeia inteira, e por toda a redondeza.

Homilia:

Cortejo da Vida X Cortejo da Morte
10º Domingo do Tempo Comum – Ano C
Para compreendermos a profundidade dos ensinamentos do Evangelho deste Domingo (Lc 7,11-17), é preciso que comecemos pela importância da localização geográfica onde se deram os fatos. Naim é um pequeno vilarejo cuja localização era marcada pela fertilidade da terra, pela água corrente e pelo clima agradável. O nome “Naim” tem origem hebraica e significa “Deliciosa”. Na direção ocidental de Naim estava o cemitério, pois o ocidente é o lugar onde o sol se põe, significando o entardecer da vida. Assim, Naim é a representação do lugar onde se desenvolve nossa vida, o lugar onde procuramos tornardeliciosa, agradável, nossa existência, mas que sempre termina com alguém nos levando ao cemitério, para onde o sol se põe, para onde a escuridão domina. “Nenhum homem a si mesmo pode salvar-se, nem pagar a Deus o seu resgate. Caríssimo é o preço da sua alma, jamais conseguirá prolongar indefinidamente a vida e escapar da morte. O túmulo será sua eterna morada, sua perpétua habitação, ainda que tenha dado seu nome a vastas regiões” (Sl 49).
Os cortejos fúnebres eram compostos da seguinte forma: à frente iam os tocadores de flauta, seguidos pelos homens que andavam descalços e com a cabeça coberta; logo atrás vinha o féretro, levado aos ombros de alguns homens; por fim, vinham as mulheres chorando e batendo no peito. Chegando ao cemitério, o defunto era deposto em uma cova aberta na terra, envolto em lençóis. Sobre a cova eram depositadas pedras pelos que acompanharam o cortejo. A pedra significava o contributo que cada um dava à edificação de um monumento em reconhecimento à bondade da pessoa que ali estava. Quanto mais bondosa fosse a pessoa, maior o cortejo, maior o número de pessoas, maior o número de pedras depositadas, maior o monumento edificado. Entendemos, então, o que quis dizer o Senhor em Mt 23,8: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos”.
Na direção do oriente para o ocidente andava um cortejo fúnebre. Na direção oposta – de Cafarnaum a Cesaréia – vinha um outro cortejo. De um lado, um cortejo presidido por um defunto; de outro, um cortejo presidido pelo Senhor da Vida. No cortejo fúnebre está a mãe, viúva, que perdera seu filho único. Sem esposo, não tem mais esperança de gerar vida nova; e a única vida que gerou, morreu. É a nossa mãe ali, a humanidade, que dá origem a uma vida fadada à morte, e que não tem esperança de gerar outra vida senão esta.
Jesus, ao ver a mulher, sentiu compaixão. “Ao vê-la”: quando vemos uma situação ou uma pessoa, ela entra em nós e nos chega ao coração. Jesus vê a humanidade que quer viver mais não tem poder para enfrentar a morte. Se comove. Ele intervém, e o faz de modo gratuito: ninguém pediu. Sua intervenção é incondicionada, porque o amor não impõe condições.
Se aproxima e toca o caixão. Tocar um caixão tornava a pessoa impura. Quando Cristo toca a morte, não se contamina por ela, mas comunica a vida. E mais: quando Ele tocou o caixão, o cortejo fúnebre parou, bloqueado pelo Senhor da vida. A humanidade que se dirigia ao cemitério para sepultar seu filho não vai mais – a morte já não tem poder sobre a Vida.
“Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” – aquele que estava morto sentou-se e começou a falar. São os sinais da vitória da vida sobre a morte. Sentar-se sobre o caixão indica assumir a posição de vencedor, a semelhança de Cristo que, ressuscitado, “está sentado à direita de Deus Pai”Começar a falar significa romper o silêncio da solidão imposto pela morte. A vida é sinônimo de comunhão, de comunicação (lembremos que a palavra evangelho significa justamente boa notícia, que é comunicada a toda a humanidade!).
“Jesus o entregou à sua mãe”. Ele devolve à humanidade a vida que sua geração tinha perdido com o pecado. A humanidade agora não gera mais condenados à morte, mas habitantes da Pátria Celeste, da vida eterna.
Contemplemos, por fim, Maria: com ela glorificamos a Deus por essa obra extraordinária operada pelo Senhor – o Senhor veio visitar o seu povo!

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